🐺💧 Qual é a capacidade de engolimento de uma boca de lobo?
- Francisco Costa
- 12 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Você já se perguntou qual é a vazão máxima que uma boca de lobo consegue engolir? Seria 50 L/s? 60 L/s? Existe uma “tabela mágica” com valores fixos? Ou esses parâmetros variam conforme as condições locais?
Na prática, a capacidade de engolimento de uma boca de lobo não é um valor fixo. Ela depende diretamente da altura da lâmina d’água na sarjeta, que determina o regime de escoamento — ou seja, se o funcionamento se assemelha a um vertedouro ou a um orifício.
📐 Parâmetro fundamental
A altura da lâmina d’água (y) pode ser estimada pela equação:

Conforme o DNIT (2006):
A boca de lobo atua como vertedouro quando a lâmina d’água está abaixo da altura da abertura.
Atua como orifício quando a altura da água é superior ao dobro da abertura.
A FHWA (1996) adota um limite um pouco menor: 1,4 vezes a altura da abertura. Já o DAEE (1980) recomenda o uso de bocas de lobo simples em vias com declividade de até 5%.
🧮 Equações de engolimento
Para bocas de lobo simples, quando a lâmina d'água é menor ou igual à altura da abertura, a FHWA (1996) utiliza a equação 2, enquanto o DNIT (2006) usa a equação 3.
Quando a lâmina d’água é menor ou igual à abertura (y ≤ h):


Onde:
Q = vazão de engolimento (m³/s)
L = comprimento da abertura (m)
y = altura da lâmina d’água junto à guia (m)
💡 Regime de orifício
De acordo com Nicklow (2001), quando y > 1,4h, a boca de lobo passa a funcionar como orifício — com ou sem depressão. Nesse caso, aplica-se:


⚠️ Regime indefinido
O DNIT (2006) define que o funcionamento se torna indefinido quando a lâmina d’água é superior ao dobro da abertura (y > 2h), aplicando-se:

🦁 E ainda tem mais...
Além das bocas de lobo simples, existem as bocas com grelha, as bocas de leão e fatores de redução de capacidade por obstrução parcial — um desafio constante no dimensionamento da drenagem urbana.
Este é apenas o primeiro passo para entender o comportamento hidráulico dessas estruturas.
📚 Para se aprofundar:
REFERÊNCIAS
DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES (DNIT). MINISTERIO DOS TRANSPORTES (MIT). Manual de drenagem de rodovias. Rio de Janeiro, 2006. Publicação IPR-724.
DNIT. Manual de Hidrologia Básica para estruturas de drenagem, IPR- 715. 2ª Edição. Rio de Janeiro,2005.
FEDERAL HIGHWAY ADMINISTRATION. Urban Drainage Design Manual. November 1996. HEC 22, Metric Version.
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